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O que aconselho é ouvir os filósofos e a lê-los tendo em vista o propósito de uma vida feliz, sem ficar em busca de palavras arcaicas ou forjadas e metáforas ousadas e figuras de linguagem, mas sim de preceitos úteis e expressões elevadas e vigorosas que logo sejam aplicadas à vida real."
Este conceito, escrito por
Sêneca há quase dois mil anos, revela a preocupação do filósofo romano para que seus ensinamentos tivessem sempre um sentido prático, ao invés de parecerem apenas palavras vãs. Foi por esse motivo que a citação acima teve especial utilidade para mim, pois quem acompanha por aqui a evolução dos meus estudos já pôde perceber que mudei de objetivo algumas vezes.
Inicialmente, moveu-me o desejo de procurar ajudar a meus filhos na cada dia mais ingrata tarefa de sobreviver nesse mundo louco em que vivemos hoje em dia com um mínimo de sanidade. Passado um tempo, percebi a tolice e a soberba de tal objetivo, pois como já havia percebido e escrito
aqui,
a única pessoa que podemos mudar somos nós mesmos, e certamente por meio de ações, não de palavras.
Depois dessas reflexões, cheguei à conclusão de que meu objetivo deveria ser gastar meu (pouco) tempo livre com algo mais elevado do que o
feed de notícias da grande "inpremça" tapuia. Apesar de fazer isso já ter me proporcionado enorme bem, tinha uma intuição, mais que um conhecimento, de que esse ainda não era para mim "o" objetivo.
Foi então que Deus, mais uma vez, teve uma imerecida misericórdia de mim e me fez prestar especial atenção na frase que abre esse texto, pois nela estava o meu objetivo "padrão-ouro":
Eu deveria estudar para colocar em prática o que aprender e com isso melhorar minha própria vida!
Esse pode parecer um objetivo parecido com o segundo, mas há uma sutil diferença. É fato que quem para de ler o chorume produzido pela grande "inpremça" tapuia é mais feliz, mas fui influenciado a achar que era só isso tanto pelo próprio
Sêneca quanto por
Marco Aurélio, o imperador romano, não o outrora semideus brasileiro, recentemente rebaixado à condição humana. Os dois filósofos apontavam constantemente a obrigatoriedade de fazermos sempre o nosso melhor, dada a exiguidade do nosso tempo na Terra. Minha cabeça torta e oca demorou a perceber a compreensão errônea do que diziam e a entender que era muito mais que isso, porque
conhecimento que não gera ações benéficas é mero saber por saber.
Sabedor da minha burrice e teimosia, Deus, em mais um acréscimo da Sua misericórdia, fez com que eu visse no instagram duas pérolas de sabedoria, que serviram para enraizar em mim a convicção de que o que estava escrito ali era, sim, um bom objetivo. Uma de mestre
Rodrigo Gurgel e outra de
Guilherme Freire, brilhante professor de Filosofia e diretor da Brasil Paralelo.
Raciocinando sobre essa evolução no meu modo de encarar os livros, veio-me à cabeça que quando eu conseguir atingir o novo, o objetivo original (ajudar meus filhos) e o posterior a este (me livrar da Miriam Leitão) terão maior chance de serem concretizados, à maneira do cachorro que, enjoado de correr atrás do próprio rabo e nunca alcançá-lo, concentra-se em outra coisa e o rabo o segue, dócil e obediente.
A tarefa de estudar não acaba nunca. Isto significa que terei cada dia menos tempo para acompanhar o que escreva a gloriosa "inpremça". Melhor ainda, serei cada dia menos afetado por ela.
Se conseguir colocar em prática os valiosos ensinamentos contidos nos livros, certamente serei uma pessoa melhor. Com isso, se não conseguir ajudar meus filhos pelo exemplo, que, como se sabe, ensina muito mais que meras palavras, pelo menos deixarei de contaminar o ambiente familiar com meu costumeiro e contumaz azedume.
Peço de antemão desculpas as vocês, caros leitores, por este texto não trazer nada mais que um exemplo pessoal. Meu intuito com ele não foi dar lição de moral a ninguém, porque nem tenho cacife para isso. Trouxe-o porque a sensação que tive de estar perdido no início dos estudos pode também estar sendo sua nesse momento. Se houver um de vocês que tenha achado qualquer utilidade nesses mal traçados parágrafos, dou por bem gasto, e não perdido, o meu tempo.
Um abraço e até a próxima!