Ao reler rapidamente o excelente "
Sobre a brevidade da vida", de Sêneca, para "fichar" as frases de que mais gostei, deparei-me com algumas conceitos aos quais não havia prestado muita atenção.
Aproveito pra já abrir aqui um parêntese em forma de dica:
releia os seus livros preferidos. A interpretação do texto varia a cada releitura e você estará sempre aprendendo coisas novas (e úteis) cada vez que o faz.
O trecho que reproduzo abaixo, juntamente com algumas das frases que saíram aleatoriamente da parte de
frases motivadoras do meu site, mostraram-me claramente que meu propósito estava errado: comecei os
estudos achando que ajudaria, ou pior, que mudaria meus filhos através dessa atitude. Ledo engano:
a única pessoa que conseguimos mudar somos nós mesmos. Ao mesmo tempo, deduzi que a parte que me passou despercebida continha em seu bojo o que eu considerei um alerta para a futilidade do estudo apenas pelo estudo, para, digamos assim, "matar o tempo". Sem mais delongas, ei-la:
"
Realmente ninguém duvidará de que produzem uma laboriosa nulidade os que se detêm no estudo de inúteis erudições literárias - essa legião já é grande também entre os romanos. Foi dos gregos essa doença de indagar que número de remadores teria tido Ulisses, se primeiro teria sido escrita a Ilíada ou a Odisseia, além disso, se são do mesmo autor, e ainda outras coisas desse tipo, que, se alguém guarda para si, elas em nada ajudam sua consciência interior e, se as divulga, não iria parecer mais douto, e sim mais tedioso."
Ao perceber meu engano, tratei de enfiar minha viola no saco e definir melhor meus objetivos com a faina de ler os livros, fichá-los e trabalhar em meios de fixar melhor seus conceitos:
- Melhorar minhas escolhas acerca de com que me preocupar, ou melhor, medir com mais justeza o peso das minhas preocupações. Isso obviamente não significa, viver "na flauta", esquivando-me das minhas obrigações, como marido, pai, profissional e membro de uma sociedade. Entretanto, vale a explicação. Afinal de contas, vivemos numa época em que o óbvio muitas vezes precisa ser dito. E desenhar o dito. E explicar o desenho...
- Diminuir o tempo gasto com a leitura de notícias. Esse pode ser encarado como uma especialização do objetivo acima, mas achei importante separá-lo. Primeiro, porque todos os grandes mestres, do presente e do passado, já deixaram expressa essa necessidade, e não há por que ir contra eles. Afinal de contas, são sábios e eu sou uma múmia. Em segundo lugar porque, como nos ensina o grande Flávio Morgenstern, notícias não são feitas para informar, mas sim para prender a atenção do leitor. Não é à toa que a propaganda veio antes do jornalismo…
- Não perder tempo com discussões tolas, principalmente com pessoas que pensam diferente de mim em algum ponto. Outra especialização do primeiro objetivo que merece ser destacada. Há não muito tempo atrás, alguém - não me lembro realmente quem - me perguntou: "Quantas vezes alguém mudou de opinião por causa de algo dito por você numa discussão?" Não sei no seu caso, amigo leitor, mas no meu, posso responder com segurança que a resposta a essa pergunta é: Zero...
Isso quer dizer que você deve se negar a conversar com o amiguinho que pensa diferente de você? A princípio, claro que não! Ao vermos a merda em que já estamos, justamente por aceitar bovinamente o pensamento unificado que nos vai sendo paulatinamente imposto pelos supremos sábios da atualidade, entendemos claramente a importância do livre debate de ideias, né?
Mas, então, por que a princípio, não? Porque qualquer adulto sabe (ou deveria saber) que há pontos inegociáveis dentro da sua escala de valores. Vale a pena frisar, entretanto, que mesmo nesse caso há uma maneira educada de dizer isso ao seu "contendor" e tem como mandá-lo "estudar história", com a delicadeza de um mastodonte bêbado.
Pra finalizar, deixo bem claro que meu objetivo aqui, ao listar os
meus propósitos, não é induzi-lo a aceitá-los, caro leitor, e sim, estimulá-lo a
meditar sobre os seus.
Isso, claro, se você achar que deve, porque é como eu digo: "
Estudar, mesmo sem propósito, sempre vai ser melhor que ler o que escreveu um jornalisto"...
Um abraço e até sábado que vem!