Quem vem acompanhando a
série sobre Minimalismo Digital já sabe que o trabalho de Cal Newport, o autor do
livro homônimo, é sempre muito focado e planejado. Pode parecer exagero tanto planejamento para lazer, mas pense um pouco:
Você já experimentou fazer uma viagem cujo objetivo é conhecer os lugares interessantes sem planejá-la? Será que você aproveitou tudo que poderia dos lugares que visitou? Se você respondeu
não à pergunta anterior, concluirá que planejar é uma excelente tarefa a executar antes de mergulhar de cabeça no seu lazer!
Outro motivo para planejamento é que, se com ele seu lazer já será prejudicado pelo cotidiano, sem ele certamente será muito mais!
Para facilitar nossa tarefa, o escritor traz alguns tópicos que podem nos ajudar:
- O planejamento deve ser sazonal e semanal (objetivos de médio e curto prazo).
- Um plano sazonal conterá objetivos (metas específicas e estratégias de acompanhar como as alcançará) e hábitos (regras de comportamento).
- Os objetivos e estratégias devem ser o mais específicos possível, pois são mais difíceis de ignorar. Um incentivo, como um evento com prazo estipulado e que só acontecerá se os eventos forem cumpridos, não é obrigatório, mas é útil. Por exemplo: Se você toca um instrumento, comprometa-se a tocar a música XXX daqui a uma N quantidade de tempo.
- Os hábitos não fazem parte de um objetivo específico, mas são comportamentos que sempre permearão os objetivos. Exemplo: restringir o lazer de baixa qualidade a X minutos por dia.
- A distinção entre hábitos e objetivos não interessa tanto; basta que o plano sazonal tenha poucos, mas interessantes, objetivos e hábitos que suportem a consecução desses objetivos.
- Reveja seu plano sazonal no início de cada semana e defina que ações tomará para progredir nesses objetivos e exatamente quando tomar essas ações.
- Revise constantemente os hábitos, a fim de reforçar sua prática. Reflita como foi a experiência com eles na semana passada. Se quiser, pode usar marcadores de desempenho. Analisar esses marcadores ajudá-lo-á a manter os hábitos que estão dando certo e indicar problemas a serem corrigidos.
- Não se preocupe com uma possível falta de espontaneidade no planejamento, porque é uma tarefa que toma menos tempo à medida que você pratica e não tira a espontânea idade do seu tempo livre propriamente dito. Além disso, planejar sua semana fará com que você procure mais tempo livre em sua agenda. Ficar sem fazer nada depois de um dia duro pode ser tentador porque proporciona certo prazer, mas será um prazer sempre muito menor que preencher o tempo com lazer de alta qualidade.
Participe de comunidades
Para encerrar o capítulo mesclando teoria e prática, Newport recomenda que o candidato a minimalista participe de alguma comunidade (
real, não virtual!) ou associação que congregue pessoas com interesses análogos aos do leitor.
Para justificar a utilidade da prática, ele cita o exemplo de ninguém menos que Benjamin Franklin, inventor, político, diplomata e jornalista, que criou um clube social chamado
Juntos, onde eram levantadas questões políticas e filosóficas e a cada três meses se produzia um ensaio sobre qualquer assunto desejado.
Esta associação tinha um esquema de arrecadação de fundos para compra de livros, a fim de que todos os seus membros pudessem ler, independentemente da sua condição econômica. A iniciativa deu tão certo que foi o embrião das primeiras bibliotecas públicas americanas.
Notório gregário, Franklin acreditava que vale a pena fazer parte de qualquer associação que tivesse fins úteis.
Um abraço e até a próxima!