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Redes sociais: fascínio e escravidão

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sábado, 19 de novembro de 2022 - 09:09
Você certamente já viveu essa cena: você pega seu celular para checar a hora de um compromisso importante na agenda. Eis que se passa meia hora, você olhou o WhatsApp, o RedBird, o Foicebook, o InstaGramsci, o site de receitas da Palmirinha... e não olhou o horário do seu compromisso!

Um spoiler: só sei o porquê disso acontecer, e é provável que você também saiba. Não sei (ainda) como combater o que considero o mal do século: o sequestro da nossa atenção pelas redes sociais. Até já falei brevemente sobre o tema aqui.

Para você que não parou, enraivecido, de ler este texto no parágrafo anterior, informo que logo abaixo apontarei dois fatores psicológicos que causam essa dependência, tão forte quanto as dependências de álcool, drogas, tabaco e propina.

Extraí os conceitos do livro Minimalismo Digital, de Cal Newport, professor de Ciência da Computação da Universidade de Georgetown.

Antes de passarmos aos conceitos, quero deixar a você, caro leitor, uma informação, como uma forma de agradecimento por você ter aguentado bravamente até aqui: como finalizei apenas o primeiro de uma série de sete capítulos do livro, há boas chances de eu aprender (e voltar aqui para tentar lhe explicar) como se livrar dessas verdadeiras Medusas contemporâneas. Isto posto, chega de enrolação e vamos aos finalmente.

O primeiro conceito é o reforço positivo intermitente. Os aplicativos de redes sociais são cuidadosamente projetados para fornecer ao usuário o que Newport chama de feedbacks inesperados. Há um famoso experimento do pombo de Michael Zeiler, que bicava um botão que liberava alimentos aleatoriamente. Como resultado, verificou-se que recompensas que eles não estavam esperando motivaram-nos muito mais do que as recompensas previsíveis, e, consequentemente, levam muito mais dopamina, um dos hormônios da felicidade, ao cérebro.

É melhor eu largar o RedBird ou vou começar a comer só milho e cagar na estátua do Borba Gato...

Voltando a falar sério: é por isso que estamos rolando o feed do InstaGramsci e, "quando menos esperamos", nos deparamos com um sensacional perfil novo do George Harrisson que ainda não conhecíamos. E aí, o que era uma checada de cinco minutos dura 20.


Trabalhando em conjunto com a primeira, Cal aponta uma outra causa: o estímulo da necessidade de aprovação social. Esta parece meio óbvia, não? Afinal de contas, quem passaria quatro horas e meia retocando exposição, luminosidade, sombras e brilho das cores de uma foto que irá publicar se não fosse para ganhar uma curtida ou um comentário, mesmo que seja de um troll? Quem já não voltou a essa obra-prima digna de um Caravaggio trinta segundos depois de postá-la, só "pra ver se alguém já curtiu"? Não é à toa que o botão "Curtir", inserido no Foicebook em 2009, é considerado um marco nas redes sociais.

Ok, espertinho, mas qual o objetivo de abandonar minhas redes sociais?

Eu realmente não quero nem vou deixá-las, assim como acredito que você, querido leitor, também não queira nem vá. Meu objetivo é apenas aprender a usá-las racionalmente, de modo que eu as domine, e não que elas exerçam o controle, conseguindo ficar cinco minutos ao invés de uma hora nelas.

Tá, mas pra que?

Quem não vive em Botswana e tem acesso à internet já sabe o que está acontecendo no nosso país, principalmente se busca outras fontes de informação que não o William Bonner. E, pasmem, essa guerra não começou pelas garras do atual Imperador de Banânia, mas se intensificou muito nos últimos tempos. Acontece que a arma de que dispomos para guerreá-la é a cultura, que, como já dizia Andrew Breitbart, "está rio acima da política". E para adquirimos cultura, precisamos estudar. E para estudar, precisamos de tempo. E para ganharmos tempo, precisamos... ?

Para terminar, uma dica simples, mas que pode te ajudar muito, principalmente se você tem o costume de ler em ambientes que desfavorecem a concentração: leia falando, mesmo que seja só movimentando os lábios. Parece brincadeira, mas sua capacidade de mergulhar no Platão melhorará muito!

Um abraço e até a próxima!

Fonte: Coelho de Programa

Leia mais sobre: redes sociais, minimalismo digital


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