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A grande mídia informa ou desinforma?

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sábado, 16 de abril de 2022 - 07:25
Um dos meus objetivos ao começar a estudar é ensinar aos meus filhos como e por que uma instituição com tão pouca credibilidade hoje em dia como a velha imprensa ainda consegue pautar o debate público.

Só ao começar a estudar o módulo InfoWar do excelente curso de Formação do Senso Incomum é que comecei a vislumbrar o motivo: grandes órgãos de imprensa estão calcados numa autoridade (que, como eu nunca tinha percebido, é diferente de credibilidade) construída ao longo dos muitos anos de estrada que têm.

Tenho apenas um vislumbre, mas ainda não o entendimento dessa influência da imprensa. Seus motivos ainda me parecem complexos. Apesar disso, vejo casos que mostram didaticamente o quão perniciosa é essa influência e seu real objetivo, que, na minha opinião, não é simplesmente informar, mas impor a agenda defendida por seus controladores.

Um deles, talvez o mais famoso e o que melhor ilustra o engano a que somos submetidos diariamente, é o famoso caso da Escola Base. Ocorrido em 1994, no bairro da Aclimatação, em São Paulo, envolveu o casal Shimada, proprietários da escola, além do casal Paula Miriam e seu esposo Maurício, professora e motorista da escola, respectivamente, num escabroso caso, que gerou tanto escândalo que tempos depois virou um livro, " Caso Escola Base - Os Abusos Da Imprensa", de Alex Ribeiro.

As quatro pessoas sofreram uma série de acusações de abuso sexual contra crianças. Essas acusações foram amplamente estimuladas pela grande imprensa, que chegou ao cúmulo de publicar em seus veículos acusações e depoimentos que os acusadores simplesmente não deram à polícia.

A manipulação chegou a um tal nível que o delegado que cuidava do caso, quando perguntado (milagre!) por um repórter sobre a ausência de provas, saiu-se com esta: "A prova? O inquérito é a prova". Visitemos o Pai dos Burros Digital para ler o significado de inquérito: "conjunto de atos e diligências que têm por objetivo apurar a verdade de fatos alegados; sindicância".

Embora eu saiba, não é obrigatório para mim, analista de sistemas, saber o significado da palavra. Eu creio que tanto para um delegado que conduz para um jornalista que cobre uma investigação policial, o conhecimento do termo deveria ser obrigatório.

Se um caso local já gerou tanta comoção, faça um (graças a Deus) inverossímil exercício e imagine se um juiz de uma alta corte resolvesse usar argumentos desse nível para fins político-ideológicos, que afetariam toda a nação...

Como era de se esperar, a vida dos acusados foi destruída, com relatos de doenças psicológicas adquiridas em decorrência das acusações.

O caso foi arquivado, mas não sem um último tiro de misericórdia da imprensa, que noticiou que o motivo do arquivamento foi falta de provas, quando na verdade os réus foram inocentados. Percebe a diferença?


Peguemos um "gancho" do final desse caso para analisar o cuidado com que o jornalista escolhe as palavras que publica, principalmente o título, que é onde 99% das pessoas (inclusive eu, mea culpa!) para. Comparemos com as manchetes das notícias de hoje. em dia. Analisemos o peso de cada palavra que as compõem. Será que o uso das palavras varia de acordo com o alinhamento ideológico do objeto da matéria em relação ao da linha editorial do órgão de imprensa?

Confesso que ler só os títulos das matérias que recebo no zap já me dá nojo, mas em nome do meu objetivo, um dia vou encher a cara de antiácido, chazinho de camomila e fazer um exercício que transforme a minha dedução em conhecimento real:
  1. Quando o alinhamento ideológico do objeto da matéria é contrário ao da linha editorial, as palavras têm sempre uma carga negativa, muitas vezes criada ou aumentada artificialmente: investigado, indiciado, acusado, aliado do político XYZ. A lista de exemplos é quase infindável.

  2. Ao contrário, quando o objeto da matéria bebe da mesma fonte ideológica da linha editorial do órgão, o título é quase sempre atenuado. Exemplo: mesmo o sujeito sendo pego em flagrante cometendo um crime, quase sempre é citado na manchete como "suspeito"...
Outra forma de manipulação que durante muito tempo passou despercebida por mim é contar apenas um lado da história, tomando-o como verdade absoluta. E é assim que vão se criando as narrativas, palavra não por acaso muito na moda hoje em dia...

Se você chegou até aqui e não fechou seu browser nem o apontou pra Folha de São Paulo é porque concorda comigo que a imprensa tem um papel nefasto na produção atual de conteúdo noticioso.

Por isso, te convido a refletir sobre essa pergunta:

Como reverter essa manipulação descarada das notícias?

Eu, sinceramente ainda não sei, pois comecei meus estudos recentemente. Entretanto, tenho percebido que passa invariavelmente (e no meu caso, infelizmente, pois, além de burro, sou covarde) por não ignorar esses fatos, mas sim, estudar como e por que essas manipulações acontecem e, assim, combate-las, usando não o mesmo mau-caratismo da mentira, mas as mesmas estratégias de convencimento.

Uma dica: incluamos alguns estudos morais/espirituais na nossa lista de estudos, porque creio que só assim (e com o auxílio luxuoso do chazinho de camomila!) conseguiremos ter a fleugma necessária para chafurdar na lama da grande mídia sem enlouquecer...

Um abraço, uma excelente Páscoa para todos e até sábado que vem!

Fonte: Coelho de Programa

Leia mais sobre: estudos, imprensa, senso incomum


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