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O que torna o treinamento de alta qualidade - ou não?

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segunda-feira, 7 de outubro de 2024 - 11:58
runners trainingPor Alex Hutchinson, para o site OutsideOnline.com
A próxima fronteira na ciência do treinamento, atualmente sendo debatida em publicações como o International Journal of Sports Physiology and Performance, parece ter sido arrancada das páginas do romance de estrada de Robert Pirsig de 1974, Zen and the Art of Motorcycle Maintenance. O narrador de Pirsig é obcecado ao ponto da loucura com a questão aparentemente intratável de como sabemos o que é bom. "Algumas coisas são melhores do que outras", ele proclama, "ou seja, elas têm mais qualidade". Isso também é verdade para os treinos, de acordo com o cientista esportivo norueguês Thomas Haugen: alguns são melhores do que outros, de maneiras que não são necessariamente indicadas por estatísticas como ritmo, potência, frequência cardíaca e cadência.

No início deste ano, Haugen, um professor da Kristiania University College em Oslo, publicou um artigo com colegas tentando transformar essa observação em uma definição mais concreta de qualidade de treinamento - e sugerindo maneiras pelas quais atletas e treinadores podem melhorá-la. É um enigma que Haugen vem contemplando desde a década de 1990, quando era velocista e treinador assistente do lendário guru do sprint Leif Olav Alnes, que atualmente treina Karsten Warholm, o recordista mundial nos 400 metros com barreiras. "Uma das coisas que observei foi que todos os outros grupos de sprint na Noruega tentaram copiar nosso programa de treinamento, sem obter o mesmo progresso e sucesso", diz Haugen. "Isso me fez perceber que o programa em si era de importância limitada."

O que significa, então, quando você conclui uma sessão de treinamento sentindo que foi um ótimo - ou pelo menos de alta qualidade - treino? A resposta fácil é que você foi mais rápido, levantou mais peso ou sentiu menos esforço do que em treinos semelhantes. Mas isso é uma armadilha. Forçar em seus treinos na hora errada pode estragar uma temporada e torpedear suas metas competitivas. Quando pesquisadores australianos entrevistaram nadadores de elite para entender como eles viam a qualidade do treinamento, suas respostas foram mais sutis. Um tema comum, nas palavras de um dos participantes do estudo, era "se você está atingindo os tempos que deveria atingir" - isto é, não necessariamente indo mais rápido, mas acertando o ritmo pretendido.

Os nadadores também enfatizaram parâmetros de qualidade menos quantificáveis, como "sentir minha braçada" e "sentir-se determinado e motivado". Com base nisso, os pesquisadores, liderados por Stephanie Shell do Instituto Australiano de Esporte, propuseram uma escala de Qualidade de Treinamento Subjetivo [N. T: STQ = Subjective Training Quality em inglês] que pede aos atletas para classificar, de um a dez, sua concordância com três afirmações: Eu atingi meus objetivos de treinamento físico nesta sessão; Eu atingi meus objetivos de treinamento técnico nesta sessão; e Eu estava mentalmente e emocionalmente engajado nesta sessão. O STQ, Shell e seus colegas sugerem, poderia ser incorporado em registros de treinamento junto com métricas convencionais como ritmo e esforço subjetivo, oferecendo um lembrete de quão bem você está seguindo seu plano de treino.

Há uma lacuna no STQ, no entanto, como Haugen e seus colegas apontam. E se você fizer um treino incrível seguindo seu plano, mas seu plano for ruim? Parte do treinamento de alta qualidade é ter treinos bem escolhidos para um determinado atleta em um determinado momento, trabalhando em direção a um determinado objetivo. E mesmo com um bom plano, observá-lo rigidamente nem sempre faz sentido. "Com base em como você se sentiu hoje, a corrida longa fácil foi um pouco rápida demais?", pergunta Haugen. "Ou, se você se sentiu muito bem nos intervalos, por que não adicionou mais dois ou três à sessão?"


Em seu artigo, Haugen e seus colegas definem a qualidade do treinamento como "o grau de excelência relacionado a como o processo ou as sessões são executadas para otimizar as adaptações e/ou melhorar o desempenho geral". É difícil argumentar com uma definição tão geral, mas também é complicado descobrir como fazer uso prático dela. Como avalio se o fartlek desta manhã foi muito bom, muito ruim ou algo entre os dois para meu desempenho geral em uma prova daqui a alguns meses?

Alguns treinos são melhores que outros, de maneiras que não são necessariamente indicadas por estatísticas como ritmo, potência, frequência cardíaca e cadência.

O conselho prático de Haugen foca em três janelas principais. Antes de um treino, você deve ter clareza sobre o propósito da sessão; certifique-se de que está devidamente abastecido, hidratado e equipado; e coloque-se no espaço mental certo. Durante o treino, você precisa monitorar o quão bem está aderindo às suas metas, seja com um smartwatch ou rastreando o esforço subjetivo; faça ajustes com base em como está se sentindo; mantenha-se focado, abastecido e hidratado. Após o treino, você precisa se recuperar bem e - talvez o mais crucial - fazer um resumo e avaliar como o treino foi em relação às suas metas. "Os melhores praticantes estabeleceram uma cultura de aprendizado contínuo", escrevem Haugen e seus coautores.

O grande clichê da era Strava, emprestado de gurus da gestão corporativa, é que o que é medido é gerenciado. Mas até mesmo o mundo dos negócios sabe que essa não é a história completa. O escritor de gestão Simon Caulkin sugere uma qualificação: "mesmo quando é inútil medir e gerenciar". Grande parte da mangueira de incêndio de dados de treino que nossos vestíveis coletam pode ser considerada como se enquadrando nessa categoria. Mas as definições mais amplas de qualidade de treinamento ficam no extremo oposto do espectro, tão vagas e genéricas em suas orientações que correm o risco de serem ignoradas. Para gerenciar a qualidade do treinamento, ou pelo menos mantê-la em nosso radar, talvez precisemos de algo para medir.

Uma opção útil é o STQ; uma mais simples é o tamanho da lacuna intenção-execução: quão perto você chegou de fazer o que pretendia fazer no treino? Você pode quantificar isso com ritmo médio, potência ou frequência cardíaca. Mas a opção mais fácil e generalizável é sua percepção subjetiva de esforço. Quão difícil, em uma escala de dez pontos, o treino deveria ser? E o quão duro você realmente deu? Essa abordagem funciona se você estiver na academia ou na bicicleta, treinndo por horas ou detonando intervalos curtos. Ela se ajusta se você está se sentindo melhor ou pior do que o esperado. Ela fornece uma métrica rápida e facilmente compreensível para saber se você se esforçou até o grau que seu plano de treinamento exigia. E se você começar a notar um padrão de grandes erros, isso lhe diz que você tem um problema.

Haugen reconhece o benefício de rastrear algumas métricas de qualidade quantificáveis. Mas isso é apenas parte da história, ele diz. O cerne da qualidade dos treinos é, bem, qualitativo. "Isso envolve um forte senso de propriedade do processo de treinamento, motivação, dedicação, determinação e inteligência de treinamento", ele diz. Essas são as características que atletas e treinadores passam uma carreira ou talvez uma vida inteira buscando, e elas não se prestam a listas de verificação e atalhos. Mas elas importam. A quantidade dos treinos não é nada sem a qualidade - e, por enquanto, a melhor maneira de melhorar a qualidade pode ser continuar discutindo sobre o que isso significa. Afinal, como Robert Pirsig apontou, "Se ninguém sabe o que é, então, para todos os efeitos práticos, não existe".

Fonte: OutsideOnline.com

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