Uma das coisas que tenho aprendido com o esforço constante do
estudo é a fazer conexões entre as diversas partes do conteúdo. Isto é muito útil, pois essas ligações ajudam a melhorar o entendimento do aumentar a consistência dos tópicos.
E o curioso é que essa ligação às vezes vem de fontes inusitadas: meu propósito, quando comecei (e ainda não acabei) a ler "
A educação da vontade" era pegar dicas de como resistir à tentação quase irresistível de largar os estudos e voltar à dopamina e serotonina fáceis providas pelas redes sociais.
Por isso, foi imensa minha surpresa ao me deparar com os dois parágrafos que transcrevo abaixo:
"
Ah, sim, quase todos sofrem num grau inacreditável as sugestões que lhes vêm de fora! Em primeiro lugar pela educação que recebem da família, e as famílias de filósofos são raras! Raras, por conseguinte, são as crianças que recebem uma educação racional. Aqueles mesmos que recebem uma tal educação vivem de certa forma numa atmosfera de tolices. O ambiente social, os criados, os amigos, que sofrem poderosamente a influência da opinião pública, povoam a memória da criança com as fórmulas que estão em curso na sociedade. Mesmo que a família tenha conseguido erguer barreiras contra esses preconceitos, a criança terá professores que refletem muito pouco, e colegas infestados do espírito comum. Além disso, vivendo entre seus semelhantes, por melhor educada que seja, a criança terá que falar a linguagem de seus semelhantes."
"
Ora, sobre essa tolice universal, cada colega de nosso estudante tece um conjunto de obrigações que ele converterá em moeda corrente de acordo com as ocasiões de despesas cotidianas."
Lê-los provocou em mim um estalo:
Jules Payot, um pedagogo, descreveu, já em 1894 e de forma claríssima, um conceito que seria formalizado apenas 83 anos depois, em 1977, por
Elisabeth Neumann, uma cientista política: A
Espiral do Silencio.
A teoria formulada pela alemã é baseada na observação um fato da vida real (essa coxinha dos infernos): o resultado final de eleições alemãs não "batia" com as pesquisas de intenções de voto. Tal fato intrigou-a e ela iniciou suas pesquisas, chegando à conclusão de que as pessoas às vezes declaravam um voto na pesquisa e no escurinho da urna, a expressão máxima da Festa da Democracia, votavam de forma diferente. Aliás, isto lhe soa familiar?
A constatação da existência desse elo me deixou feliz porque consegui promover uma "conversa" entre os autores, um exercício proposto por
Bruno Magalhães, professor da Brasil Paralelo e autor do excelente curso "
Introdução à vida intelectual".
O texto tem, sim, um tom personalista e, por isso, peço desculpas aos meus leitores. Por isso, para recompensá-los da tortura que deve ter sido chegar até aqui, deixo duas dicas de livros, que ainda não li, mas cuja imensa utilidade pude vislumbrar no curso do Bruno e que, por esse motivo, já estão na minha lista. Acho-os imprescindíveis se seu objetivo é (como o meu indiretamente também é) compreender como a "grande" mídia manipula a opinião pública. São eles:
A dica-bônus eu já dei antes, portanto, aparece aqui apenas como um reforço:
persista! Não sou eu quem lhe fala sobre a utilidade desse conselho, mas sim, Sêneca, há quase dois mil anos: "
É árduo e confragoso o caminho que somos chamados a atravessar. Ora essa! É pelo plano que se vai para o alto? Mas ele nem é realmente tão íngreme quanto acham alguns. Somente a primeira parte tem pedras e rochedos e parece intransitável"Um abraço e até a próxima!