Movido inicialmente pelo desejo de ter embasamento para conseguir oferecer outra visão para pensamentos de meus filhos que considerava inadequados, me propus a ler "O imbecil coletivo". Entretanto, logo percebi que não tinha o menor estofo intelectual para a tarefa.
Mesmo assim, Deus, que não me desampara nunca, menos por merecimento que por compaixão, me deu forças para terminar de ler pelo menos os prefácios. E foi ali que tomei o primeiro contato com mestre
Rodrigo Gurgel, que transcreveu uma frase que, apesar de curta, é extremamente fértil de ensinamentos:
"
Os integrantes da intelligentsia brasileira dissolveram todo o senso de responsabilidade pessoal na poção mágica da 'responsabilidade social'"
Curioso como sou, comecei a procurá-lo nas minhas redes sociais, desejoso de conhecer o trabalho de uma pessoa que tem a honra de prefaciar uma obra de
Olavo de Carvalho, distinção, aliás, que nem todos souberam respeitar.
E logo minha intuição se confirmou: tratava-se, assim como o próprio Velho da Virgínia, de um oásis no meio de tanto mimimi, tanta problematização, tantas discussões tolas que nada acrescentam aos brasileiros médios, como eu.
Foi lendo alguns dos seus textos que me dei conta do que permitia aquele milagre circundado por um deserto de insanidade: "
A cultura está rio acima da política", como já dizia Olavo.
Intuindo, muito mais do que propriamente sabendo, que a única pessoa que me cabe mudar é a mim mesmo e que seriam os livros e não as notícias, que me livrariam da loucura, ou pelo menos atenuá-la-iam, decidi aprender como estudar e, ao mesmo tempo, começar a estudar um pouco do estoicismo, começando por Sêneca. E é justamente aí que começa meu preito de gratidão por mestre Rodrigo.
- Mestre, obrigado por ter me mostrado essa simples, mas profunda, frase, que nos mostra claramente a prevalência da sempre difícil, mas sempre recompensadora reforma individual, ao invés da falácia da reforma coletiva.
- Obrigado por me mostrar que a leitura e a escrita são, sem dúvida, uma das formas mais eficazes de terapia. Graças a seu exemplo, hoje posso dizer que quem escreve é mais feliz, porque o papel se doa inteiro a nós, tal qual uma amante, doce, lânguida e sem censuras.
- Obrigado por me ensinar que dar meu precioso e finito tempo para um gênio que escreve coisas que, mesmo tendo 2.000 anos de idade, continuam válidas e atuais, é o melhor caminho para que eu me torne a melhor versão possível de mim mesmo.
- Obrigado pelo sensacional áudio no seu canal no Telegram, que mostra que eu estava certo ao trocar os cênicos da mídia pelo acima da média Sêneca. Obviamente que acertei por mais um acréscimo da Misericórdia Divina, ao contrário do senhor, um mestre no sentido denotativo de palavra!
E é justamente da sua posição de mestre que advém o título desta singela homenagem, alusão ao excelente filme, produzido num tempo em que filmes transmitiam conteúdo sobre os quais valia a pena refletir, e protagonizado pelo inesquecível Sidney Poitier, um negro cujo personagem, com inquebrantável bravura e zero lacração, fez o que tinha que ser feito para transformar adolescentes rebeldes e sem esperança em adultos de bem, conceito tão
démodé nos dias de hoje.
Obrigado por tudo, professor!