Coelho Dizeres Computador
[X] Fechar

Já conhece a NewsLetter do CoelhoDePrograma? Clique aqui e assine!

Só demora 30 segundos para se cadastrar e você recebe nossas notícias por email!

Seu nome:

Seu email:

Nome do amigo:

Email do amigo:

Os tênis são os únicos culpados das lesões?
Enviar por email Compartilhe no Twitter

segunda-feira, 27 de agosto de 2018 - 16:28
old running shoesFala, galera!

Não há nada mais desestimulante para um corredor do que ficar sem praticar a sagrada arte da corrida devido a uma lesão.

Quando passamos por isso, tentamos analisar o que pode ter dado errado, a fim de minimizar essa possível causa e não ficarmos de novo tanto tempo sem praticar nosso esporte preferido!

Nessa análise, um fator que sempre vem à mente são nossos amigos tênis, que muitos de nós às vezes nos apressamos em culpar. Mas será que é mesmo assim?

Este artigo que traduzi hoje, do excelente site Competitor.com, traz outros possíveis culpados. Embora a matéria não seja conclusiva (aaaaaaaaaaahhhhhhhh) traz alguns outros pontos em que você pode trabalhar para tentar evitar as tão temidas lesões.

Bora dar aquela lidinha básica? mrgreen
A taxa de lesões na corrida é alta. Ninguém sabe exatamente o quão alta, mas seja qual for o número exato, é um número maior do que o visto em praticamente qualquer outra forma de exercício.

Essa infeliz discrepância foi apontada em um estudo de 1998 envolvendo triatletas, que, é claro, praticam muita natação, ciclismo e corrida. Pesquisadores da Universidade de Straffordshire, na Inglaterra, descobriram que entre os triatletas de elite, 62,1% das lesões sofridas durante um período de cinco anos foram causadas pela corrida, 34,5% pelo ciclismo e apenas 3,4% pela natação.

Entre os triatletas de nível médio, os números foram 64.3%, 25% e 10.7%. E entre os triatletas recreativos houve uma pequena mudança, com 58.7 na corrida, 15.9 no ciclismo e 15.4 na natação.

Por que a taxa de lesões é muito maior na corrida do que na natação e no ciclismo? A explicação tradicional é que a corrida causa mais lesões porque é uma atividade de alto impacto, enquanto a natação e o ciclismo são atividades sem impacto. Mas em Born to Run, o jornalista Christopher McDougall popularizou uma explicação alternativa provocativa proposta por Steven Robbins na década de 1980: que os modernos tênis de corrida aumentam a taxa de lesões promovendo mecânicas antinaturais que exercem tensão indevida sobre os tecidos das extremidades inferiores.

Apesar de todas as evidências apresentadas em apoio a este argumento, ele permanece fundamentalmente não comprovado, por uma razão simples: apenas um estudo prospectivo e formal comparando as taxas de lesões em corredores calçados e descalços, mostrando uma taxa de lesões significativamente maior em corredores calçados, poderia provar isso, mas esse estudo não foi feito.

De minha parte, com base nas evidências atualmente disponíveis, acredito que os tênis de corrida em geral se tornaram excessivamente pesados nos anos 80 e continuam assim até hoje. Em geral, os corredores são mais propensos a se machucarem em tênis excessivamente pesados do que em modelos mais leves, embora os dados históricos limitados sobre as taxas de lesões sugiram que a taxa de lesões na corrida não aumentou entre imediatamente antes e depois da era do calçado pesado e hoje. No entanto, acredito ser absurdo sugerir que os tênis de corrida devam ser os únicos culpados - ou mesmo a mormente culpados - pela alta taxa de lesões na corrida.

Para colocar toda a culpa nos calçados, você deve ignorar outros fatores que são mais do que contribuintes plausíveis para a alta taxa de lesões na corrida, ou seja, (em taquigrafia): peso corporal, sedentarismo, superfícies duras e genética. Vamos dar uma olhada em cada um desses fatores.

Peso corporal

Um estudo realizado há alguns anos sob os auspícios da USA Track & Field atraiu muita atenção, pois descobriu que o alongamento não tinha efeito sobre a taxa de lesões em uma grande população de corredores. Mas outro achado muito interessante nesse estudo foi quase completamente ignorado. Um dos poucos fatores que se correlacionaram com o risco de lesão neste estudo foi o peso corporal. Simplificando, quanto mais pesado o corredor, maior a probabilidade de ele se machucar.

Como todos sabem, ficamos muito mais gordos nos últimos 30 anos - corredores incluídos. Sem dúvida, esse é um fator que contribui para a alta taxa de lesão observada na corrida de hoje.

Sedentarismo

Os índios Tarahumara do México foram idealizados como uma espécie de povo perfeito que corre do modo como os humanos deveriam correr, que corre como todos os humanos supostamente costumavam correr e que nunca se machucam. Chris McDougall acredita que o motivo da aparente baixa taxa de lesões de corrida entre os Tarahumaras é o calçado minimalista. Eu não tenho tanta certeza.

Acho que uma diferença muito mais importante entre os Tarahumara e Joe American Marathoner é que os primeiros são altamente ativos fora da corrida de diversas maneiras, enquanto Joe American Marathoner corre 45 minutos por dia e senta em seu traseiro e permanece prostrado nas outras 23 horas e 15 minutos.

Ser ativo de diversas maneiras além da corrida, na verdade, incentiva uma corrida mais saudável. Um estilo de vida ativo fora da corrida ajuda a prevenir a maioria dos desequilíbrios musculares e posturais que são tão comuns em nossa sociedade e que contribuem para lesões devido à redução da estabilidade articular.

O "cara" da ultramaratona Dean Karnazes me disse em uma entrevista que um jogo recente de tênis o deixou tão dolorido no dia seguinte que ele mal conseguia sair da cama. Todo aquele movimento lateral na quadra, ao qual ele estava desacostumado, desafiou músculos que Dean nunca usa em 160 quilômetros por semana de corrida. Aqueles pequenos músculos despretensiosos dos tornozelos, pernas, virilha e quadris poderiam nos ajudar a ser mais saudáveis se, como os Tarahumara, os utilizássemos suficientemente em outras atividades para torná-los fortes o suficiente para desempenhar um papel na estabilização de nossas articulações durante a corrida.

Superfícies duras

Outra diferença fundamental entre os Tarahumaras e nós é que os primeiros correm na terra, enquanto nós corremos principalmente na rua. Acredito que o fato de os Tarahumara correrem em superfícies suaves o suficiente para permitir uma corrida confortável em calçados minimalistas é mais importante do que o fato de usarem esses calçados. Em outras palavras, acredito que o pavimento é um problema maior do que os nossos tênis e que teríamos lesões com a mesma frequência calçando sandálias huarache na rua, como fazemos em nossos tênis de corrida.

Isso tudo é especulação, porque as taxas de lesões em diferentes superfícies nunca foram formalmente comparadas. Há alguns anos atrás, havia uma discussão no fórum da letrun.com sobre experiências pessoais e taxas de lesões durante períodos correndo a maior parte do tempo na terra, em comparação com períodos de corrida na maior parte nas ruas. Foi virtualmente unanimidade. Praticamente todos os corredores que tinham uma base de comparação e que ofereciam sua experiência diziam que eram muito mais saudáveis quando corriam mais na terra.

Genética

Outra diferença fundamental entre os Tarahumara e nós é que eles são uma população única de especialistas em corrida, enquanto nós não somos. Não há evidências que apoiem esta noção revigorante de que os Tarahumara de hoje são os últimos vestígios de um estilo de vida que já foi universal para a humanidade.

Corrida de longa distância provavelmente nunca foi uma prática em toda a população nas primeiras sociedades humanas, como é entre os Tarahumara. Pelo contrário, era a área de atuação de alguns especialistas selecionados. Consequentemente, os fundamentos genéticos do dom para corridas de longa distância nunca foram largamente difundidos na maioria das culturas humanas, desde os nossos primórdios até hoje.

A prática da corrida de longa distância é mais difundida em nossa cultura hoje do que há séculos. Como sabemos, a participação na corrida aumentou tremendamente nas últimas três décadas. A maior parte desse crescimento veio de baixo, por assim dizer, com milhões de tipos mais lentos e não competitivos inundando o esporte.

Eu faço parte da cena de corrida desde o início dos anos 80, e posso dizer-lhe que foi impressionante testemunhar esta transformação. Quando meu pai estava competindo em provas de rua, esses eventos estavam cheios de corredores - homens e mulheres relativamente rápidos (principalmente homens) que corriam principalmente porque eram bons nisso. Eles eram especialistas. Hoje, os currais de partida são dominados pelo que poderíamos chamar de não-corredores que correm. Eles não são especialistas.

O que é ótimo. No entanto, o mesmo pacote genético que dá à pessoa a capacidade de correr longas distâncias relativamente rápido também dá à pessoa a capacidade de correr muito sem quebrar. Os corredores naturalmente dotados se machucam com muito menos frequência em uma base por quilômetro do que corredores menos dotados. Portanto, a alta taxa de lesões vista hoje é certamente devida em parte ao fato de que, como um todo, a população atual de corredores é menos "nascida para correr" do que a de antigamente.

De volta à tradição

Se peso, sedentarismo, superfícies duras e genética, todos contribuem para as lesões na corrida em nossa sociedade hoje, quanto de culpa resta para tênis de corrida excessivamente pesados?

Vamos ser realistas: a natureza de alto impacto da corrida é de fato a verdadeira razão pela qual a taxa de lesões na corrida é tão alta. As características do calçado afetam a quantidade de impacto que o corpo absorve durante a corrida e como esse impacto é absorvido, mas não altera a natureza fundamental de alto impacto da atividade. Assim, se você se apaixonar pela ideia sedutora de que os tênis de corrida são os únicos culpados por todas as lesões e que se livrar de seus sapatos lhe permitirá correr infinitas distâncias sem lesões para sempre, ficará desapontado.

Se você realmente quiser reduzir o risco de lesões o máximo possível, considere seus tênis, mas também perca peso (se necessário), mude para superfícies macias e faça coisas além de correr para fortalecer os músculos estabilizadores.
Abraços e beijos a todos e até a próxima! mrgreen

Fonte: Competitor.com (adaptado por Coelho de Programa)

Leia mais sobre: corrida, lesão, tênis

Assine a NewsLetter do CoelhoDePrograma e não perca mais nenhum artigo!

Gostou da matéria? Comente logo abaixo! mrgreen

Copyright - Marcelo Coelho